Paciência
Paciência é a habilidade de resistir às dificuldades encontradas no caminho e de se conter diante de abusos praticados por outros a vós.
Várias estórias são contadas da extraordinária paciência do Bodhisatva*.
Um rei bêbado acordou e encontrou suas servas sentadas ao pé de um sábio. O rei demandou saber a doutrina que ele pregava e o sábio respondeu que pregava a paciência. O rei pediu-lhe que definisse paciência e o sábio respondeu que paciência era não se enraivecer frente a abusos e maus tratos. Determinado a testar o comprometimento do sábio a seus ensinamentos, o rei ordenou que o chicoteassem com espinhos e, em seguida, que seu executor lhe cortasse as mãos, depois seus pés, seu nariz e então suas orelhas. A cada vez ele perguntava ao sábio o que ele pregava, o sábio respondia que ele pregava a paciência e que paciência não seria encontrada em suas extremidades amputadas. Antes de morrer, o sábio desejou ao rei longevidade. Buddha foi o tal sábio em uma vida anterior. De fato, é dito que se Budha fosse flanqueado por suas pessoas, onde uma delas massageasse seu braço direito com óleos aromatizantes e outra apunhalasse seu braço esquerdo com uma faca, ele observaria ambas igualmente.
Sãndideva expõe um interessante argumento em prol da paciência e contra a raiva.
Quando alguém nos bate com um bastão, ficamos nervosos com o bastão ou com a pessoa que segura o bastão? Ambos são necessários para a dor ser infligida, mas só ficamos com raiva do agente da nossa dor, não do instrumento. Entretanto, a pessoa que move o bastão é, por si própria, movida pela raiva; ela serve como seu instrumento. Se estivéssemos direcionando nossa raiva contra a causa mor da nossa dor, deveríamos, então, direcionar nossa raiva contra a raiva.
Ele também diz que, de acordo com a lei do Karma, tudo de não-prazeroso que acontece conosco é um resultado de nossos próprios feitos passados. Por isso a pessoa que nos fere é, na verdade, somente o conduto inconsciente de nossa própria não-retidão, retornando na forma de sentimentos de dor. Por ferir-nos, a outra pessoa, por si própria, incorrerá em um karma negativo pelo qual ela terá de pagar no futuro. Se nós respondermos com raiva, estaremos plantando as sementes para nosso próprio sofrimento futuro, assim como causando mais dor à pessoa que já terá de sofrer pelo ferimento que nos causou. Raiva é, portanto, autodestrutiva; um momento de raiva pode destruir grande quantidade de virtudes acumuladas através de muitas vidas.
Sãntideva descreve um mundo coberto com pedras pontiagudas. Para andar sem cortar os pés existem duas soluções. Pode-se cobrir todas a superfície do mundo com couro ou pode-se cobrir as solas dos próprios pés com couro. O mundo está cheio de inimigos, aqueles que nos criticam em vários níveis. Para evitar o dano causado, a nós mesmos e aos outros, respondendo com raiva, existem duas soluções: pode-se destruir todos os inimigos ou pode-se praticar a paciência.
(*) Bodhisatva (sânscrito): Aquele que tem a intenção de atingir a iluminação. Aquele que, com compaixão, fez seu voto para se tornar um buddha, mas ainda não se tornou.
Extraído do livro “A História o Budismo”.
Paciência é a habilidade de resistir às dificuldades encontradas no caminho e de se conter diante de abusos praticados por outros a vós.
Várias estórias são contadas da extraordinária paciência do Bodhisatva*.
Um rei bêbado acordou e encontrou suas servas sentadas ao pé de um sábio. O rei demandou saber a doutrina que ele pregava e o sábio respondeu que pregava a paciência. O rei pediu-lhe que definisse paciência e o sábio respondeu que paciência era não se enraivecer frente a abusos e maus tratos. Determinado a testar o comprometimento do sábio a seus ensinamentos, o rei ordenou que o chicoteassem com espinhos e, em seguida, que seu executor lhe cortasse as mãos, depois seus pés, seu nariz e então suas orelhas. A cada vez ele perguntava ao sábio o que ele pregava, o sábio respondia que ele pregava a paciência e que paciência não seria encontrada em suas extremidades amputadas. Antes de morrer, o sábio desejou ao rei longevidade. Buddha foi o tal sábio em uma vida anterior. De fato, é dito que se Budha fosse flanqueado por suas pessoas, onde uma delas massageasse seu braço direito com óleos aromatizantes e outra apunhalasse seu braço esquerdo com uma faca, ele observaria ambas igualmente.
Sãndideva expõe um interessante argumento em prol da paciência e contra a raiva.
Quando alguém nos bate com um bastão, ficamos nervosos com o bastão ou com a pessoa que segura o bastão? Ambos são necessários para a dor ser infligida, mas só ficamos com raiva do agente da nossa dor, não do instrumento. Entretanto, a pessoa que move o bastão é, por si própria, movida pela raiva; ela serve como seu instrumento. Se estivéssemos direcionando nossa raiva contra a causa mor da nossa dor, deveríamos, então, direcionar nossa raiva contra a raiva.
Ele também diz que, de acordo com a lei do Karma, tudo de não-prazeroso que acontece conosco é um resultado de nossos próprios feitos passados. Por isso a pessoa que nos fere é, na verdade, somente o conduto inconsciente de nossa própria não-retidão, retornando na forma de sentimentos de dor. Por ferir-nos, a outra pessoa, por si própria, incorrerá em um karma negativo pelo qual ela terá de pagar no futuro. Se nós respondermos com raiva, estaremos plantando as sementes para nosso próprio sofrimento futuro, assim como causando mais dor à pessoa que já terá de sofrer pelo ferimento que nos causou. Raiva é, portanto, autodestrutiva; um momento de raiva pode destruir grande quantidade de virtudes acumuladas através de muitas vidas.
Sãntideva descreve um mundo coberto com pedras pontiagudas. Para andar sem cortar os pés existem duas soluções. Pode-se cobrir todas a superfície do mundo com couro ou pode-se cobrir as solas dos próprios pés com couro. O mundo está cheio de inimigos, aqueles que nos criticam em vários níveis. Para evitar o dano causado, a nós mesmos e aos outros, respondendo com raiva, existem duas soluções: pode-se destruir todos os inimigos ou pode-se praticar a paciência.
(*) Bodhisatva (sânscrito): Aquele que tem a intenção de atingir a iluminação. Aquele que, com compaixão, fez seu voto para se tornar um buddha, mas ainda não se tornou.
Extraído do livro “A História o Budismo”.
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